Subversa

À memória de Petrarca | Bianca Camargo de Lima


Quando revejo meus poemas antigos
Olho o olho, espio a fresta: só memória
Há tanta esperança agora ilusória
Que são todos apenas inimigos

Por décadas, planejei imensa glória
Procurava rimas entre perigos
Construí castelos como jazigos
Nada além de dor em vil escória

Fiz versos vários (que não eram meus)
Risquei linhas de um amor que não vivi
Nem o poeta fugiu à lei de Deus

Nessa terra, não se ama –  aprendi
Escrevem-se sonetos europeus
Sorrio, fico feliz então: menti


Bianca Camargo De Lima | São Paulo,  Brasil |  bilimacamargo@gmail.com

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