Subversa

Alma | Yuri Claro (Santo Antônio da Platina, PR, Brasil)

Fotografia de Jean-Claude Plachet


Quando se quebra;

não há necromante que a levante, nem bruxo que a restaure; não há ferramenta que a conserte nem remendo que a inteire; muito menos há de se esperar que o tempo a cure, que os fragmentos se juntem sozinhos, mesmo que organizadamente empilhados, mesmo que deixados à vontade num quarto; não importa se feita de vidro ou aço, cristal ornado, em cinco ou dez pedaços, serrada ao meio ou espalhada no espaço, no vácuo, lá longe e você aqui, desalmado, desacorçoado, ínfimo e inexato. O que o céu há de querer com um espelho rachado, e como o inferno há de torturar o que de tão execrado já não é um todo abalável,  inabalável, só é um nada no nada. De tão frágil, não há uma que se preserve intacta.  E o tempo talvez engabele, que alma já se inteire, espere um pouco, sentado no canto, no consultório do médico que lá se há de lhe reavivar só com a espera. E de tanto em tanto passa tanto que ela esquece que já foi um todo, que agora é pouco, um ali, outro aqui e assim se vai até nem ter alma mais.


YURI CLARO cursa o 4º ano de Letras/inglês na UENP, não faz nada de importante, mas uma vez fez uma coisa interessante e repete a mesma história dez vezes para os amigos. 20 anos, do interior e gosta de puxar r’s de propósito. Quando se formar, quer fazer alguma coisa que não odeie.

Sobre o Autor

1 Comentário

  1. Paula Soares 16 de junho de 2017 em 15:29

    Caro Yuri,

    Sua escrita é muito intensa e de uma beleza ímpar. Gosto muito de ler teus trabalhos aqui na Revista Subversa, pois são de imensa qualidade e técnica.
    Continue exercendo a arte da escrita ainda tens muito mais para nos mostrar.

    Paula Soares

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