Subversa

Amor Vadio | Maria Eduarda Oliveira (Extrema, MG, Brasil)

“Apollon et Daphné”, fim do século II. Musée départemental, Rouen, França.


eu sentei na praça

li Bauman

enquanto ouvia Chico

e conclui que os exasperados

pesos

tolos

romantizados amores franceses

só monopolizam

o que não é nosso.

 

corações lânguidos, quentes,

delimitados e presunçosos nos

tiram os legos enfiados nos pés

e nos mostram o quão

leigo somos

em achar que

somos donos

do que mora em nós.

 

a verdade é que o

mundo pertence

a quem tem como pertence

um protocolo

estabelecido

de um amor que

não seja

vadio.

 

quem ocupa um espaço

inconscientemente

aceitas as condições

medíocres que a vida

insiste em nos fazer crer

que são necessárias.

 

é que o amor

é um porre

sem ressaca

e de romântico

ele não tem nada.

 

é uma areia movediça

que descaracteriza

a força dos seus pés

te afunda

e manipula

seus caminhos

traçados

e faz com que

a ânsia dos desesperados

e o lado piegas

dos vira-latas

viram amores

de quem

se entrega

pra vida

sem pudor.


MARIA EDUARDA OLIVEIRA tem 16 anos, é poetisa e abriga um grande apreço ao mundo literário. Já foi colunista do jornal Gazeta da Cidade e possui, também, seus poemas expostos em saraus e festivais de sua região.

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