Subversa

Bárbara | Fernando Alves Medeiros (São Paulo, SP)


O amor é como o metrô:

ao desembarcar,

cuidado com o vão entre o trem

e a plataforma.

 

Na fria manhã,

todos os trens despejam múmias da tristeza.

Mas basta apenas um sorriso teu

para emprestar cor e luminosidade

ao cimento da estação.

 

Na multidão anônima,

eu persigo teus passos, de longe,

eu tento

cruzar

teus olhos fugidios,

sentir teu pulso de cetim.

 

Em vão.

 

Sou engolido pela massa disforme

que corre

que atropela

catracas e escadarias.

 

E ouço tua voz quente

aveludando os ruídos pontiagudos,

ensaio palavra,

sonho em roubar teu beijo incandescente,

mas não.

 

Calo o meu amor,

calo o meu verso,

e te assisto como estátua

no horário de pico.


FERNANDO ALVES MEDEIROS (São Paulo, 1988), engenheiro eletrônico, metroviário e escritor. Teve o ensaio Na Janela, O Horizonte publicado na revista Grafias (dezembro de 2017). Publicou Kitsch (2015, poesia, autopublicado). Blog pessoal: Cafés e Bablablas. | almed.fernando@gmail.com

Sobre o Autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão sinalizados *

Entre em Contato

contato.subversa@gmail.com
Brasil: (+21) 98116 9177
Portugal: (+351) 91861 8367