Subversa

Carranca | Fábio Amaro (Pelotas, RS)


Espanto eu causo, não sofro.

Do que tens, tenho o dobro.

Meu sopro desata vendavais.

O mais nem sempre é medida.

A vida corre, a morte fica.

Se quiser, que me adore,

ou me odeie, sem fita.

Meu barco é sua proa,

desteme onda e croa.

Se me apraz, eu atraco,

senão, desfaço o porto.

Sou torto e devasso,

fui feito da trança do aço.

Tenho areias na ampulheta

que desabam sem compasso.

Minha vista é atenta,

minha alma, de bárbaro.

Sou o oposto do avaro,

meu ouro eu espalho

por entre as favas de loucos.

Tenho o coração fora do peito.

A dor não enfeito,

a alegria eu amplio.

Sou rei e também vadio.

O acaso eu abraço

sem dar um pio.

Vem, destempera,

ecoa meu grito infinito.


FÁBIO AMARO (da Silveira Duval) nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no frio domingo de 28 de agosto de 1977. Talvez por isso seja um cara introspectivo e tenha sido fisgado pelo solitário ofício de escrever poemas. É PhD em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e Professor na Universidade Federal de Pelotas.

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