Subversa

Congruências | Fábio Amaro (Pelotas, RS)


Transita nos contornos da mente

a matéria vaga da loucura.

 

Abstrair-se em corpo

é deixar-se jogar no fio denso da correnteza.

 

Habitaremos navios tão logo caia a noite

e o mar nos envolva –

sôfrego.

 

Temos incêndios nas palmas das mãos.

 

Os pés nos queimam sem sóis.

 

Necessitava, de pronto,

ser dois,

mas perdemo-nos na evolução das mitoses.

 

Mínimos, congregamos memórias atávicas,

cúbicas, esparsas,

fachos luminosos sucedâneos do porvir.

 

Não há como mentir na face ríspida do furacão.

 

A mão é abrigo de afagos e golpes

que o ar suporta.

 

Ser

é convergirem-se opostos.

 

Outubro/MMXVII


FÁBIO AMARO (da Silveira Duval) nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 28 de agosto de 1977. Publicou dois volumes de poemas: “O carrossel dos desvarios voláteis – ensaios poéticos” (1999) e “O terceiro lado da moeda” (2017). É PhD em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e Professor na Universidade Federal de Pelotas | fasduval@terra.com.br

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