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Costura amorosa | Vagner Silva (Lavras, MG, Brasil)

Ilustração: A Mimura

Ilustração: A Mimura

Precisamos, urgentemente, reescrever este relacionamento que tecemos em conjunto. Escrito com excesso de sentimentalidade, falta-lhe clareza, coerência, coesão e, por que não dizer, fundamentação. Precisamos, imediatamente, deixá-lo fluído e compreensível.

            Sinceramente, já não aguento mais estas reticências frias, sem graça e sem gozo que, hoje, definem a nossa história. Por isso, acredito que a interrogação nos ajudará a refletir sobre os nossos alicerces. E a exclamação será responsável por revelar nossos sentimentos – espanto, súplica, entusiasmo, surpresa.

            Porém, antes de prosseguir, preciso te advertir de três questões. Primeira, preze pela sua autenticidade quando estiver conversando comigo e esqueça na gaveta de cuecas, ao menos dessa vez, as suas queridas aspas; por favor, sem citações diretas, assim como indiretas. Segunda, procure não se esconder atrás dos seus parentes e parênteses; busque a objetividade. Terceira, respeite os travessões de nosso diálogo; também se disponha a me ouvir.

            Diante desse processo de costura amorosa, acredito que nós temos possíveis orientações: (i) talvez fosse o caso de pensarmos nos dois pontos contidos num café da manhã e explicarmos, abertamente, nossos sentimentos, até os mais dolorosos e sombrios; (ii) talvez fosse o caso de pensarmos naquela vírgula, presente numa viagem de final de semana, que é momentânea, mas reveladora; (iii) talvez fosse o caso de pensarmos naquele ponto e vírgula, presente num jantar romântico de despedidas, sem abraços, sem beijos, sem investidas, sem mãos dadas, que, no entanto, oculta olhares desejosos de reconciliação, de retorno, de continuidade; ou, optando pela medida mais drástica, (iv) talvez fosse o caso de pensarmos naquela luz no fim do túnel (?) chamada ponto final, que não trará, necessariamente, inimizade, desrespeito e desconsideração, e nos possibilitará outras histórias, outras pessoas, outros amores, isto é, outras introduções, outros desenvolvimentos, outras (in)conclusões.


VAGNER DA SILVA BATISTA é graduando do 6º período do curso de Direito da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e membro do Núcleo “Artes, Direito e Literatura”. Publicou, em 2015, o poema “Mudo (n)o mundo” no livro “15º Concurso de Poesias”, organizado pela Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC) de Capivari/SP. Interpretou o poema “Corpo negro”, de sua autoria, no 2º Encontro do Orgulho Crespo em Lavras, ocorrido no 2º semestre de 2015. | VAGNERSB94@GMAIL.COM

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5 Comentários

  1. Isadora Oliveira 10 de março de 2016 em 12:34

    Que lindo, Vágner!
    Me arrepiei…
    Parabéns. <3

    • Anônimo 19 de março de 2016 em 16:48

      Isadora, muito obg! 😀

  2. Irene Reina 18 de março de 2016 em 17:14

    Muito criativo, adorei. Parabéns, você escreve bem…e vai longe assim!!!

    • Vagner Silva. 19 de março de 2016 em 16:49

      Irene, muito obg! 😀

  3. felipe 7 de abril de 2017 em 23:48

    Gostei muito do que li aqui no seu site.Estou estudando o assunto,Mas quero agradecer por que seu texto foi muito valido. Obrigado 🙂

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