Subversa

Diálogo | Carlos Frazão (Porto, Portugal)


O bar quase em silêncio, o que te ensinaram um dia para seres feliz,

deixa a tua voz comover-me, aquela música que meditámos ao ouvir

o mar ou um poema de Rilke, o quarto do nosso amor no laço dos corpos.

As janelas fecham-se sobre a progressiva penumbra exterior.

Descreve, ainda. Quase em silêncio as grandes avenidas, uma breve referência

a uma tela de Hopper. Invento o diálogo.

 

Tenho a certeza da realidade. Quando os lábios deixam marcas nessa linha dos teus. Um ombro a ondular sob a embriaguez. Lembras o jardim e as aves na areia.

Tudo o que dizíamos que pudesse adiar a morte. Viver no limite a serenidade

como se fôssemos um verso incandescente.

Agora. Alastra a neblina pelas espirais do vento. Espero-te.

Enquanto vou debelando a melancolia.


CARLOS FRAZÃO | português, serve-se das palavras para viajar e das viagens para escrever. Outros temas e referências também são relevantes, mas há sempre uma dúvida sobre a utilidade de tudo isto. Um dia morre-se e, antes do fim absoluto, reconhece-se que cada instante valeu o Universo. Não há mais dúvidas. | cf.carlosf@gmail.com

 

 

 

 

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