Subversa

Do outro lado da grade | Severino Figueiredo (Cabedelo, PB, Brasil)

Cão de rua late e quem
não é de rua
é espanto e aflição

Cão de rua bate com
a venta na merda
e murcha lembrando
essa eu já cheirei

(é do tony filho
de uma pequinês
marrom burguesa)

O maior inimigo
do cão de rua
exceto a rua
que o detém
é o fundo do olho
de alguém
que o deixa mais
ou menos cão de rua

Dentro de um só
cão de rua
dezenas de cães
de garagem
que ao vê-lo dono
da passagem
refletem sobre a vida
que têm


SEVERINO FIGUEIREDO é da Paraíba e escreve em tristemascurto.blogspot.com | SEVERINODOSSANTOSFIGUEIREDO@GMAIL.COM

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. Cássio Serafim 9 de agosto de 2017 em 16:36

    As metáforas acionadas pelo cão de rua fazem-me pensar sobre o que é ser livre de verdade. Será que ser livre é vagar por aí, bater com a venta na “merda alheia” e achar que essa é a nossa própria?

    Excelente poema de Severino Figueiredo!

  2. Severino Figueiredo 5 de dezembro de 2017 em 12:52

    Pô, só vi esse comentário agora. Como dizia João Cabral, as interpretações multiplicam a obra. Muito grato!

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