Subversa

Editorial | A criatura e o lavrador | Vol. 9 | n.º 2 | setembro de 2018


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A escrita de cada verso exige um trabalho de lavrador, no sentido dinâmico do termo. O poeta precisa se dirigir para dentro e para fora de casa o tempo todo,  para ir ao campo escrever. Vê se faz sol, se está claro ou escuro do lado de fora; entra nos cômodos da casa procurando o que vestir, com o que se proteger de um possível mau tempo, ou se a ocasião é apropriada para a nudez. Passa o dia fazendo isso: avanço e retorno, ornamentos e ferramentas, capas ou pás. Com o material que dispõe, vai até a matéria da vida e trabalha a terra, porque é da terra que todo o restante vem.

Os espantalhos do campo existem para perturbar a cabeça do poeta, que sabe que os monstros estão ali. Ambos fingem que não existem, criador e criatura, para melhor se comunicarem. Ambos deixam alguma sombra entrar um no outro: o monstro fica mais humano no encontro com o poeta; e o poeta corrompe sua própria arte de lavrar a matéria do mundo. Juntos fazem nascer um objeto nunca antes visto daquele modo, que só podia existir naquela forma e que por isso mesmo provoca o mais inesperado no íntimo de quem o encontrar pelo caminho.

Desejamos a todos uma boa leitura.


Compõem este número os textos abaixo (clique neles para ler):

Angelica Neneve | Terra Nova
Benelton Lobato | Breves Anatomias
Bianca Camargo de Lima | Ponto Cego
Eduard Traste | Vivas Criaturas
Estevan Ketzer | Duas Torres
Fabrício Gean Guedes | Pescaria
G. A. Lima | Autobiografia
Lourival da Silva Lopes | Olho de Golias
Natanael Otávio | Cecília de Alencar
Sérgio Santos | Throx – a essência e o odor

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