Subversa

Editorial | Espantalho para as tempestades | Vol. 9 | n.º 5


“Penso que só quando a dor do outro se torna igualmente nossa conseguimos compreender verdadeiramente o que é a vida, e também o que é a escrita”.
Yu Hua

“Ela sempre me dizia, Vivo, fale assim: “FILHOS DA LUZ. LUZ DO CRIADOR. ILUMINEM-ME”.
Edson Costa Duarte (in memoriam)


Custamos a crer que chegamos ao quase fim de 2018. Foi um ano difícil para editar, com o relógio sempre a bater à porta de cada uma de nós, que trabalhamos separadamente, uma em cada lado do oceano Atlântico. E foi um ano difícil de editar, também, por causa dessa sombra que caiu sobre a literatura, a nível intergalático. Mas é assim mesmo. Diante das tempestades do mundo, a arte é a primeira a ser privada do sol, cuja luz vai deixando a terra. Nos piores momentos de 2018, protegemos a Subversa como se ela fosse uma criança de colo. A intenção aqui, sempre, é salvar uma nesga de esperança para entrar, de tanto valorizarmos o terreno fértil que aqui se cultiva, com tanta literatura boa, tantos autores dispostos a nos confiar a leitura, a variedade de lugares de onde vêm, e, ainda de quebra, o companheirismo dos colunistas tão admirados por nós. A alegria é profunda não só pelo talento dos autores, mas pela qualidade da relação que temos com cada um;  pelo campo seguro e confiável preservado pela revista. Não raras vezes, escrevemos uma para a outra, comentando o impacto que um texto nos causou, eventualmente mais emocionadas e também gratas por nossa parceria e amizade sempre reafirmada.

Para o ano que vem, a ideia é estarmos mais presentes que antes; realizar transformações necessárias para dar uma animadinha no ritmo da revista. Reabrir o processo de recepção de textos, logo em janeiro, e fazer o possível para que ele permaneça aberto por mais tempo. Espantar as sombras que não são bem-vindas, produzir mais e melhor; abrir ainda mais espaço para que o sol entre e fique por aqui, como sempre foi. A literatura precisa de todos nós, porque, sobretudo, nós é que precisamos dela, principalmente aqueles que não sabem disso.

Durante essa semana, um escritor nos perguntou se poderia mencionar a Subversa em um projeto. “Podemos prosseguir?”, ele disse, ao que respondemos que sim, é claro, podemos prosseguir. Então é esse verbo que deixamos aqui, felizes e ao mesmo tempo fartas por 2018: vamos prosseguir, sem dúvida alguma.

            Com um abraço e um grande agradecimento, desejamos a todos um excelente fim de ano.
Em janeiro, voltamos a dar o nosso ar da graça.

Morgana Rech e Tânia Ardito


Clique nos textos para ler:

Rex, o peixe-sáurio | ELIANA MACHADO

Recorte do Cotidiano Mínimo | FERNANDO ALVES MEDEIROS

Ainda tem espaço pra poemas de amor? | JÚLIO BARBOSA VALENTIM NETO

Diagnóstico | LEANDRO LOPES FIÚZA SANTOS

Oswaldo sumiu | LUIZ DA FRANCA

Jantar para três | MARCELO DE ARAUJO

A farmácia mais escura da cidade | RAÍ PRADO MORGADO

Sopa com letras minúsculas | RAMON CARLOS

Um certo caminho | SILVIA GERSCHMAN

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