Subversa

Editorial Vol. 8 | n.° 2 | fevereiro de 2018

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“Nenhum poeta, nenhum artista de qualquer arte, detém, sozinho, o seu completo significado. O seu significado, a sua avaliação, é a avaliação da sua relação com os poetas e os artistas mortos”

T. S. Eliot

 

A idílica imagem do poeta escrevendo sozinho por prazer, em geral, é falaciosa. O vazio da morte é sempre tema para o poeta que gosta de desafiar. Desafiar um enigma de dentro do quarto, com meia dúzia de palavras e alguma inspiração é interessante, tentador e até emocionante, mas é na rua e no contato uns com os outros que a batalha realmente existe.

A poesia desafia a morte porque a obra de um desafia a do outro. Há muitas maneiras de se matar um poeta, mas é pela morte simbólica do poeta homenageado que o novo nasce. O mais grave da morte concreta, a simples eliminação dos versos alheios, é que dela nada surge. No tiroteio artístico, tudo é devastação quando não há a avaliação; na epígrafe de Eliot, a ênfase é dada à relação entre poetas, porque é entre os poetas que a relação entre vida e morte pode ser transmitida e renovada.

A linguagem artística tem a arma maior que é a capacidade de fazer girar a lógica ao avesso. É preciso ouvir as lógicas para saber de novo o que girar. É preciso ouvir novamente os poetas que queremos matar simbolicamente, pois é aí que podemos instalar o novo.

Os textos que reunimos neste número falam justamente sobre isso. Os poetas mostram aqui que não é para enfeitar que eles são dramáticos. É porque já não podem voltar atrás de maneira nenhuma, ao que, a nós, só resta desejar que seja feita uma boa leitura.

As editoras


Clique nos textos para ler:

ADRIAN´DOS DELIMA | Cinema das atrações sobre uma beleza que não se sustenta, poema além das conversas sobre a fugacidade do belo

ANTÓNIO DA MURTA | Maldito sois vós que nem nas cartas descansais

CARLOS BARTH | Não temo a morte, mas…

EDUARD TRASTE | Atemporal

ESTER CHAVES | Duas almas no escuro

EVERTON FRANCISCO | Árabe aboiar

FÁBIO AMARO | Congruências

FERNANDO MAROJA | O tabuleiro de Aquiles

GLAUBER COSTA | Teus rastros

HERBERT DO NASCIMENTO | O conto do enforcado

Sobre o Autor

1 Comentário

  1. Josué Silva de Araújo 6 de fevereiro de 2018 em 15:26

    A poesia é assim, ela é docilidade, é meio loucura, certa lucidez, ilusão, esperança, destruição, pavor, felicidade.
    Parabéns ao autor do poema acima.

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