Subversa

Editorial Vol. 8 | n.º 9 | maio de 2018


“Que teu verso seja o bom acontecimento
esparso no vento crispado da manhã
que vai florindo a hortelã e o timo…
E tudo o mais é só literatura”

Paul Verlaine. Ouevres poétiques complètes, 1968.

 

Só literatura a ânsia pelo papel em branco; só literatura o desejo de criar qualquer coisa que ainda não exista; só literatura a vontade de conhecer o mundo; só literatura a necessidade de se reinventar mil vezes.

Poucas coisas no mundo, senão literatura. Seja para escavar um buraco na areia ou para sair com um chapéu novíssimo a dar um passeio ao sol, nada tão eficaz quanto o texto literário. Verso fixado no papel e nada será como antes. Há literatura quando exibimos o chapéu, quando o sangue arde ao vislumbre das frestas de sol atrás de uma igreja, quando uma forma qualquer precisa ser dada e dita a alguém, quando a ideia chega antes do pensamento.

Pelo bem da vida do verso, é preciso deixá-lo existir. O campo da resistência aumenta em equivalência à necessidade de viver mais e mais intensamente. Os poetas arriscam a língua porque arriscam suas vidas no mundo. É preciso, mais do que nunca e sempre, deixar o verso existir e não perguntar de onde ele vem, é preciso continuar a fazer literatura, no sentido amplo do termo, isto é, fazer literatura nos momentos mais improváveis e fazer nascer vida onde não há, seja em terra cultivada com sementes exóticas e frutíferas, seja no vazio de uma parede em branco, ou de um muro pichado onde já nem havia espaço antes.

Este número nasce da vida que pulsa na Subversa há quatro anos; às vezes semente, às vezes vazio, ora campo aberto, ora um espetáculo. São dez textos que falam sobre a fixação literária da vida, em dez formas diferentes que o leitor terá o prazer de levar até sua forma de usualmente reinventar a vida. E tudo o mais é só literatura.

Desejamos a todos uma boa leitura.

As editoras.


CLIQUE NOS TEXTOS PARA LER:

Sobre desenhar amor nas mágoas | Bárbara Frátis

Diálogo | Carlos Frazão

Letramento Existencial | César[es]

Vazios de um cotidiano inanimado | Diogo Bogéa

Mapa sonoro | Francieli Borges

A máquina está ligada | Lucas Grosso

que o poema que nos limpe a ferrugem dos olhos | Marcelo Martins Silva

23:59 | Pedro Dias de Valera

A Fala e a Escrita | Rafael Wenzel

Amizade Antimonotonia | Valdir Cesar Conejo Júnior

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