Subversa

Editorial Vol. 9 | n.º 4 | novembro de 2018


Os doze textos desse número pairaram no ar e chegaram até à cauda de um belíssimo piano que está na sala. A sala é enorme e o piano é tão lindo que ninguém quer que seja tocado. Que não faça barulho, que não lhe sujem as teclas, que não gastem seu precioso material, que não haja alvoroço.

Ninguém precisa mais do artista para que o instrumento seja apreciado; ele por si basta. É bonito demais. De tanto bastar a arte, passa a inexistir a vida. Arte que basta é vida parando. Silêncio suficiente dispensa a oposição de qualquer ruído. Pouco a pouco, mudez total.

De narrativas e versos é feito o piano. Se mais ninguém quer ouvi-lo, mesmo assim as obras ainda estão lá. Isso não se pode negar. Por mais silencioso que seja o ambiente, ainda assim será preciso ouvir a respiração uns dos outros. Se for insuportavelmente silenciosa a rua, ainda será preciso andar por elas. Queima-se o piano finalmente inutilizado, com os versos junto, e dentro dele ainda há cordas; queimam-se as cordas e elas ainda se transformam em pó; esfumaça-se o pó na cara de alguém e você ainda tem um espirro. Uma reação alérgica, que seja.

Há sempre, mesmo no mais inanimado do mundo, um elemento pronto a desobedecer. É a única regra verdadeira da vida, que não deve bastar nunca, em hipótese nenhuma.


Clique nos textos para ler:

Senhor-de-fora | Suelio Geraldo

Dar o que não se recebe | Maria Martins Torres

A outra face | José Pascoal

Amizade | Valdir Cesar Conejo Júnior

Um dia na vida | Aline Kazitoris

ontologia | Samuel Malentacchi

A micro-história de Heitor Ambrósio como artefato literário | Raul Colaço

O piano na sala | João Victor Haeberle Jaeger

Sortilégio | Hebe Santos

Erva Doce | Cido Pisani 

Lembranças de vapor | Bárbara Frátis

Uivos | Adriana Vieira

 


Ilustração de capa: Bianca Lana

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