Subversa

Fatalidade | Anderson Freixo (Salvador, BA)


chove como sempre choveu, desde o início das eras

minha existência, pura banalidade

fatalidade

hoje ser um domingo, agora ser dez e dezessete,

pura fatalidade

sofrer exatamente agora,

pura fatalidade

seria preciso ter muitas mãos pra manter o controle de tudo, mas eu tenho apenas

duas

pura fatalidade

quatro séculos atrás, no Japão, nesse exato momento,

um samurai voltava pra casa a cavalo contando seus mortos

depois de uma campanha de seis meses

e sua katana tinha um nome, e ele tinha uma honra

Hoje eu não saí de casa.

Nem ontem.

E não tenho uma katana.

Nem honra.

pura fatalidade

Não sei o que é que faz, nessas noites frias, a gente ter vontade de ouvir sonatas e lembrar dos amores

apenas lembro

é o acaso

é pura fatalidade

essa vida

esse momento aqui, agora…

a mais pura fatalidade.


ANDERSON SOARES FREIXO | nascido em Niterói, mora há 10 anos em Salvador, onde graduou-se em Letras pela UFBA. Já teve contos publicados por outras revistas, como  Mallarmargens, Samizdat e Desenredos. Atualmente publica seus textos no blog zonadofreixo.blogspot.com

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