Subversa

Gente Doente | Paulo Guerra (Jacareí, SP)


Gente doente,
corpo no chão,
casas destruídas,
esfera do globo,
dança pagã, vermelho
cetim, anjos dourados
mortos durante a rebelião,
música força subterrânea,
completa destruição, fome
de flóculos de espuma, cons
ternação, cacos de vidro, moças
da aldeia humilhadas, Rei Arlequim
bailando durante a guerra, desliza
rodopiando sobre os escombros do
Apocalipse, fim dos tempos, delírio,
assombração, ouvidos que não ouvem,
olhos que se fecham para ver, declínio,
raiva dos que apodrecem sem se torcer,
sem chorar espantados, espantados
pela beleza do negro sol, le sabat!, le sabat!,
febre no frio, !!!Vertigem!!!, Heia!, Heia!, Heia!, Heia!
galhos pontiagudos, cavalo desobediente,
ascendência, ergo-me infinitamente mais humano,
beijo o peito dos mortos, abro meu coração ao destino.


PAULO GUERRA | autor do livro de poesia Grito. Segundo Fernanda Jimenez, mestre em Literatura Comparada pela Universidade Autônoma de Barcelona, “Paulo Guerra é um desses escritores raros que aparecem de vez em quando”. | contatopauloguerra@gmail.com

 

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