Subversa

Lagosta | Chris Igreja (Rio de Janeiro, RJ)


Obrigada meu amor,

Pelo vácuo gerado pelos silêncios
Pelo tedio que espreita
Pelo viver de pairar fora de si
Por tornar-me espectadora de minha tragédia

Do labiríntico movimento de lembrar a forma de você
Dando forma às gotas d’água esfumaçadas no boxe
Dos dedos que se parecem com tudo menos carne
Pedaços de rio pedra que tão habilmente traçam sobras e luzes

Coçarei as feridas que se abrem sobre a pele como que escava dentro de si o que é mais vivo e real
Das contrações involuntárias que brotam do meu ventre
A certeza de que o incontrolável é sábio e me faz maior que o entendimento
Quero ser apenas a árvore da música de luedji e dar muitos frutos-fé
De cada amor acabado na liquidez desses tempos elétricos
Fazer gerar uma nova camada de mim como a lagosta que expande a sua casca e da dor constrói sua casa
Sigo assim retecendo minha carne fazendo dela doce macia maleável e dura
Só o bastante pra voltar a esvanecer

por entre

outros dedos


CHRIS IGREJA | nasceu e vive no Rio de Janeiro. |chrisigreja@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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