Subversa

Lar, doce lar | Valdir Cesar Conejo Júnior (São José do Rio Preto, SP)


a mulher que passou suas férias no manicômio

retorna estranha no próprio ninho arrancando

de sua família o último urro de sanidade

mostrando-lhes um espelho arreganhado

com todos os seus desejos reprimidos

pela paranóica censura social

sua filha no último ano da faculdade de moda

engole a última agulha de costura

no desejo de costurar uma nova vida

onde seus sonhos não sejam furados como peneira

pelos transtornos psicóticos do pai

o erotismo do filho mais novo camuflado

pela farda militar que espreme sua sensibilidade

com gritos de postura e palavras de ordem

enferrujando sua mente atrofiada

com um vírus conservador letal

a vida dupla do marido escondida

por uma parede invisível de moral e bons costumes

o castelo do lar doce lar caindo

tijolo por tijolo esfarelando com seu grito insano

de estranha num ninho de pessoas doentes

e ela já não sabe se voltou pra casa

ou se as paredes do manicômio

engoliram o mundo.


VALDIR CESAR CONEJO JÚNIOR | de Mirassol-SP. Desenhista e poeta Fez Ciências Sociais, mas deixou de dar aulas para ser sempre aluno. | valdircjr@live.com

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