Subversa

Letramento Existencial | César[es] (São Paulo, SP)


Os mundos que suas letras me trazem me lançam para um imenso rio,

Ele é cor-de-rosa-verde-azul-marrom,

Porque suas letras são como ferramentas pequeninas que misturo e componho,

Traço retraço faço treco troço e troco tudo de novo,

Vós trocáveis toda sua potência significante por uma conjugação correta, pergunto às letrinhas?

E a cada não-resposta eu retiro mais um punhado delas,

Faço cores desenho e borbulho sonhos para tentar dar forma ao rio,

Eu penso que seus mundos devem derivar de algo comum à forma da água,

Me contorço me reviro me dreno,

Me lanço ao seu movimento com minhas letrinhas

E nessa inversão predicativa alimento minha vontade de certeza,

Flamejando pela ordenação daquilo em que fui lançado,

Mas o rio é daquilo mesmo que foi feito,

Das letrinhas sem respostas dadas que fui retirando,

Saco por saco, dedilhando a impressão do som de suas formas sob à água,

Construindo no rio dos seus mundos os traços de um entre-margens,

Sem nunca perceber que o avanço sempre repõe seu fundamento.

Não digo que me afoguei.

Nem digo que me salvei.

São só as posições das letrinhas,

Na pressuposição do infinito espaço desforme que existe entre elas.

Nisso eu realmente me encontro e te espero,

Com todos os horizontes e sentidos que as letrinhas que restam-e-faltam ainda permitirem.


CÉSAR [ES], é formado em direito, pensa em ser professor, mas gosta mesmo é de se perder nas-e-entre as palavras | csarmbarreira@gmail.com

 

 

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