Subversa

Malditos sóis vós que nem nas cartas descansais | António da Murta (Lisboa)


Na insegurança dos outros

Propaga-se o assédio ou a misericórdia

Num cerco de fragilidade

Numa predisposição de receber o imperfeito

Numa corrente de constante seca e amargura

Na infeliz clemência assimétrica

Dentro de uma memória curta e preguiçosa

Que no fim torna-nos distantes

Difíceis de alcançar

E de recordar que não somos o oposto dos outros

 

Comecemos a produzir lembradores interpessoais

Sempre que alguém se estiver a sentir realizado

Com a falta de destreza momentânea do outro

O alarme que toque com a mensagem

“Já ali estivestes”

Se mesmo assim a atitude permanecer

E a memória continuar a falhar

Que se passe a outro método

Porque daqui só vão surgir dúvidas

E Deus nestas vidas não quer aparecer

 

Metamorfoses ambulantes somos todos

E Seixas já há muito o queria ser

Não é ser tacanho ou diferente

É só abraçar a fé de estar presente

O empilhar de pensamentos existe

E quanto mais repetições mais ele cresce

Mas como é inevitável faze-lo

Estudemos a direção em que o entulho vai

Porque lixo ninguém quer

Muito menos no próprio corpo


ANTÓNIO DA MURTA (Lisboa, 1992) | Poeta português. | antoniodamurta@gmail.com

 

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