Subversa

Modelo de bilhete para quando já não adianta | Paulo Vicente Cruz (Rio de Janeiro, RJ)


“É a única coisa que ele adianta. O que não adianta”

Manoel de Barros

 

Não dissemos muito, quando era possível e fazia sentido. Não diremos mais. Já não é possível. Embora agora faça mais sentido.

O mesmo silêncio agora é feito de outra matéria. Permanece invisível, mas ocupa mais espaço. Isso faz toda a diferença.

Na verdade, poderíamos resumir a questão a isso: um problema de tempo e espaço. Deixemos de lado a velocidade. Não tratamos aqui de física mecânica. A lentidão ou a rapidez são relativas e irrelevantes para essa equação.

O ponto é o seguinte: ditas as coisas no momento preciso, dissolvem-se como mágica grandes massas abstratas e impalpáveis. Perdido esse instante, o resultado é a conquista de território por uma presença etérea que delineia fronteiras.

Nunca calculamos esses riscos. Seguimos empiricamente (há outra forma de seguir?), descrentes dos mistérios que poderiam ter nos aproximado. A partir de hoje, só um de nós pode refazer as contas. Já não é tão importante o resultado.


PAULO VICENTE CRUZ | jornalista, formado pela Universidade Federal Fluminense. Teve textos publicados nas revistas Piauí, Gueto e Subversa.

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. Mônica Cunha 2 de dezembro de 2017 em 06:56

    Parabéns Paulo Vicente pelo excelente texto 👏👏👏👏

  2. Monica Lima 3 de dezembro de 2017 em 06:20

    Que texto incrível. Que perfeito uso das palavras, sem exagero nem nada sobrando nas frases. Traz sentimento sem precisar carregar nas tintas. Não que o excesso seja sempte indesejável – às vezes é necessário. Mas, nesse caso não. Afinal, é um bilhete.

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