Subversa

O amor nos tempos de neon | Matheus Hotz (Juíz de Fora, MG)


nos conhecemos pela

internet ou seja

era azul

néon da primeira vez

depois conversamos por

algumas semanas

e eu achava

que você tinha

um jeito

de verde

ainda não era néon

porque era

lento e não pulsava

quando nos

encontramos pela

primeira vez

tive dificuldade

de pensar

uma cor só

e então foi uma mistura

e brilhava

um pouco como

aqueles animais

aquáticos

muito pequenos

como não nos víamos

nos mandávamos

mensagens estranhas

e algo ali

tinha uma cor muito

forte como aquelas

que dão um aviso

em laboratórios

radioativos

e é claro que eu

nutro um desrespeito amistoso

por placas e sinais

então de novo

tentei te encontrar

mas você não

respondia minhas mensagens

(que cor

tem isso?)

quando você me

chamou alguns meses

mais tarde

pra se encontrar

aquilo tudo já tinha

gosto de medicação

infantil

e um branco fluorescente

mas é claro

que eu nutro também

um desrespeito

pela prática da medicina

e aí eu beijei

ele e tudo

tinha gosto de

outdoor americano

tudo tinha música de

blockbuster

e eu fui bombardeado

por uma série

de placas e avisos

DANGER

DANGER

DANGER

DANGER

a próxima vez

que eu o vi

decidimos que

não ia mais

rolar

e o céu foi de rosa

néon para

um rosa bebê

como aquelas pulseiras

de festas de

quinze anos

quando estouram

duas semanas depois

eu abri

o celular

azul

cada vez

mais choco


MATHEUS HOTZ | graduando em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora e publica seus poemas no blog http://poemasprasairdecasa.blogspot.com.br/ desde 2016 | hotzmths@gmail.com

 

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