Subversa

O Crucificado | Felipe G. A. Moreira (Rio de Janeiro, RJ, Brasil)


Para Alexandre Guarnieri

 

Não escolhi…

Pai de Santo dessas confissões,
demandas não articuladas de O Constrangymento… “ser” tão talvez, tão…

e a minha língua é A Grande Orelha ouve a paisagem.
A paisagem não é desértica.

Deus Secreto do Poema, isso me foi imposto, acho, meu nome,
veio um raio de batismo no peito,

e os sons, todos,
a jihad deles todos contra todos,
eu as ouço o tempo todo. Eu ouço a tua também.

Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.

Essa surdez “necessária”… tua, delas, vocês, mortais,
todos. Jesus, Zaratustra…, os sete falso profetas.

A delicadeza dessas orelhas…

Então, a algo que fala por mim, preferem,
os tímpanos perfurados ––uma orelha cortada é uma orelha cortada
é uma orelha cortada…

Tudo que Eu Escrevo é o nome de O Livro.
Estou escrevendo-o. Como posso-o. Devo-o. Careço-o. Gargalho-o.
Meu desigual, meu desirmão.
No Walmart, compro essa anti-escopeta.

Então eu digo que suas orelhas mais outra vez sejam.
E eis que elas são.

Eu te “perdoo”, aos judeus,
aos romanos também.


FELPE G. A. MOREIRA nasceu em 1984. Publicou a peça poética, Parque (2008, Revista Zunái online), e o livro de poemas, Por uma estética do constrangimento (2013, ed. Oito e Meio). No momento, trabalha no que espera tornar seu novo livro de poemas ––Sequestro Público da Senhorita Saúde. Ele também dá aula e faz doutorado em filosofia na Universidade de Miami. | felipegustavomoreira@yahoo.com.br

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