Subversa

Palácio de Cnossos | Marcel Franco (Rio de Janeiro, RJ)


Meu corpo amanhece numa viela

Onde o sol se atreve pouco

E o inverno é quase soledade

Semelhante à melancolia do Mar de Aral

Que vomita angústias do futuro

E a vida, cá do outro lado de Greenwich,

Persiste no emaranhado de becos

Onde meu enfermo coração-Teseu

Procura o novelo de Ariadne

Mas carrega o fantasma do Minotauro

Que me faz errar o presente, a saída

Desse tempo ateu, crucificado


MARCEL FRANCO (1983) | É licenciado em Língua Portuguesa e mestre em Ciências da Religião pela UEPA. Publicou os livros de poemas “Escadaria” (LiteraCidade/Belém/2016] e “Memória Selvagem” [Ixtlan/São Paulo/2017], sendo este último sob o heterônimo “Luigi Casanova. | marcelpa@hotmail.com

Sobre o Autor

1 Comentário

  1. Luigi Casanova 18 de maio de 2018 em 10:28

    Cnossos (ou Knossos) é considerado a maior edificação cretense no período clássico. Sua história é necessária para entender a Idade do Bronze na Grécia Antiga. No subsolo desse palácio foi feito um enorme labirinto para prender a mítica figura do Minotauro, que fora morto por Teseu (Hércules), segundo reza a lenda. Para não se perder, Ariadne oferece ao valente Teseu um novelo de fio para guiá-lo no caminho de volta.
    Faz-se, pois, todo esse recuo mítico-histórico para compreender o poema do Marcel Franco, ora intitulado “Palácio de Cnossos”, que é quase um desespero, um queixume angustiante de alguém desperançado em sua solidão (“soledade”), parecida a tristeza de um mar (“Aral”) que sucumbiu devido a ganância de ascensão do progresso na Rússia.
    “Emaranhado de becos” ora nos remete as favelas, aos subúrbios, em que o poeta procura uma saída (fio de Ariadne), tendo por contraste um valete coração incapaz de salvar a si mesmo (“Valente coração Teseu”) e cheio de sombras do passado em que fora vitorioso sobre o Minotauro ( metáfora das dificuldades e asperezas da vida em comum) .
    E, por estar ligado ao passado, o eu-lírico ‘erra o presente, a saída’ para vencer as batalhas deste tempo desencantado (como diria Max Weber em sua sociologia), descrente de tudo e de todos, ainda que tão poderoso (como Cristo), mas crucificado, atado pelas angústias e problemas existenciais da humanidade, que se convencionou-se dizer “transtornos”, depressões”.
    Esta foi minha análise de um leitor de viageiro.

    LUIGI CASANOVA

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