Subversa

Pensas em ideias abstratas e queres navegar a lua | Pedro Fonseca (Juiz de Fora, MG)


“Pensas em ideias abstratas e queres navegar a lua”. Pede que eu dispense as linhas tortas e então conheço meus limites; já que é intransponível o rodeio do pensamento, faço em mim ilha e pastoreio. A ciência não mais tem o que dizer sobre a carruagem que trafega em texto e o comportamento do ser que for encontra-se, cada dia mais, temporariamente em desobrigação plena. Contei por três vezes toda a areia do Oriente Médio no espaço entre suas duas notas de silêncio. Em seus rodapés está pintada a grande muralha da China em toda a sua extensão e isso também é falar em números. Se menos me adorno é por maior zelo a casa e a vontade de que fiques até o café de amanhã. Em ilha me aprumo e garanto pontes secretas em mapas do tesouro perdido. Poucas serão as dicas e preciso de calma: há aqueles que enfiam quebra-molas no amar. Há ainda aqueles que ficam, da mesma forma como copos d’água sempre levam em conta a embocadura do desejo de sede. Pequenas porções do calor ao qual agradecemos aos dias pela existência. Logo será julho, porque a mim não me interessa o decorrer de 21 novas datas de dias de santo. Nos feriados, me deixo deitar e fica por isso. Ainda planejamos a próxima viagem, mas vá: ultimamente o mundo quer que nos prezemos siderais. Ouve-se dizer que os mais sábios desenham duas perninhas em folha de rosto por saudades de estarem entre virilhas. Minhas linhas tortas surgem de toda a falta, bem como a hora e a vez de mais de vinte mil abelhas em curso pautado pelo contraste com o azul.  O que é instante não fica em braços, mas aparece em resquícios de pele quando há microscópios. Podemos fazer todo o possível contanto que não seja alterado o habitat daqueles sorrisos presos entre a garganta e o pulmão, cujo diagnóstico agora não é importante: prudência por cima das fraquezas que colocam para fora todas as reticências do mundo. Deixar o morto ir sem notícia. Mancha de sangue não se alveja:  faz-se por merecer. Daqui a pouco será inverno, é preciso surgir.


PEDRO FONSECA | mestrando em Artes, Cultura e Linguagens pela UFJF, onde também se graduou em Artes Visuais. Atua em processos híbridos de um fazer artístico que compreende ilustração, fotografia e escrita.  Nascido em 1992, reside em Juiz de Fora, Minas Gerais. | psfonsec@gmail.com

 

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