Subversa

poema usado | Ana Luiza Rigueto (Rio de Janeiro, RJ)


não quero nada
que tenha existência estabelecida
fotografia de cozinha
cabelos
roupas equipamentos
perfeitos
não quero nada
imóvel lustroso a exibir-se
sem vento
não quero nada polido demais
esbelto demais
encaixes perfeitos
marasmos
tediosas mitologias
escondendo o jogo falido
do amor eu não quero
a palidez do acaso previsto
prefiro o furo
na camisa
o pão amanhecido
o leite esquecido
dia cinza sem rede sem xícara
silêncios sem sorriso.


ANA LUIZA RIGUETO nasceu em Mimoso do Sul, Espírito Santo, mas mora desde quase sempre no Rio de Janeiro. Formada em Jornalismo pela UFRJ, concluiu a graduação recentemente com um projeto experimental em vídeo, o videopoema intitulado Não me fale do fim. Reúne alguns poemas no e-book Branco. | analurigueto@hotmail.com

 

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