Subversa

Recorte do cotidiano mínimo | Fernando Alves Medeiros (São Paulo, SP)


A Akira Yamasaki

A mina de franja laranja
— e cara de emoji
sorria quente no trem
naquela noite imensa e cheia de presságios.

Ela sorria mistérios para alguém
que sorria em resposta
………..mas não fazia jus.

Um cara?
Outra mina?
Era quem?
………..(E importava?)

A luz atrapalhava, mal dava para saber.
Pelo ângulo parecia um fantasma que se negava a partir,
os cabelos eletrificados,
os traços mortos.

Lado a lado, porém,
os dois — as duas? — dormiram
no tranco solavanco do trem.
Enquanto lá fora, por Deus, dia já nem era,
a paz na Terra se dissolvia.


FERNANDO ALVES MEDEIROS(São Paulo, 1988), engenheiro eletrônico, metroviário e escritor. Teve o ensaio Na Janela, O Horizonte publicado na revista Grafias (dezembro de 2017). Publicou Kitsch (2015, poesia, autopublicado). Blog pessoal: http://cafeseblablablas.blogspot.com.br/

 

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