Subversa

Sangue | Helena de Andrade (Rio de Janeiro, RJ)


A composição do teu sangue

parte solidão e anemia

não carece água e carne

falta o sopro

Desejo enevoado embotando o olhar

desbotando esperanças

Ar que abunda embarga a voz

palavra entala na garganta

evapora pelos poros

pela pulsão freada à força de um rolo compressor

Não haverá pílula a puxar ao solo o castelo

Apenas músculos, tendões

e o suor de teus braços


HELENA DE ANDRADE é carioca, trabalha no terceiro setor e é formada em ciências sociais, com mestrado em sociologia da educação. Tem 37 anos. Este poema faz parte de uma seleção intitulada Ponta de Faca, que reúne trinta poemas escritos entre 2016 e 2017. Trata-se de uma obra não publicada (ainda!). Os textos remetem à dificuldade e necessidade de expressão dos desejos, à busca de desembargar a voz, às dificuldades de comunicar-se com clareza e sinceridade. | dilainerj@gmail.com

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