Subversa

Se findássemos nossa peça | Paulo Enrique Freitas Cruz (Muriaé, MG)

Se esse passarinho morresse

Se ambos findássemos nossa peça

O que de nós restaria?

E o que se já nos resta?

 

 

No cair da cortina, em meu peito,

Cai pássaro e sujeito

Na mesma terra sem poema,

No mesmo chão, do mesmo jeito.

Se, porém, o passarinho,

Habitante de mim, morresse comigo,

Na benção de um mesmo credo

Ao badalar dum mesmo campanário,

Comido pelo mesmo verme,

Velado pelo mesmo horário,

Com a tez de minha epiderme

Sem viço e sem itinerário.

 

Se coincidisse esta trança

À mesma caveira carcomida

Sem amor, sem vida,

Sem bicho, sem esperança…

Em meio ao chão agreste,

Em mim, diria a criança,

Pra que ave em suas voanças

Um dia, quem sabe, me leve.


PAULO ENRIQUE FREITAS CRUZ é advogado atuante na zona da mata mineira. Músico amador, escritor de poesia e prosa. Ganhador de diversos prêmios literários. | PAULOCRUZ1989@HOTMAIL.COM

Sobre o Autor

1 Comentário

  1. Edson Costa duarte 31 de Janeiro de 2018 em 02:08

    Lindo poema Paulo.

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