Subversa

Sobre desenhar amor nas mágoas | Bárbara Frátis (São Paulo, SP)


Sobre o papel gramatura 180

Os riscos macios do lápis grafite

são as veias verdes de sua pele alva

A luz

seu bom humor e vigor

O sombreado esfumado

as olheiras profundas de teus olhos,

a boca carnuda, às vezes macia e rosada

Cada traço rabiscado

o som de tua voz, pois

as palavras agora jazem perdidas

esquecidas, como eu estou para ti

Resta somente o som

uma dor de gélido calor

Feito o cinza 2B aproveitado de base

para a tela branca que lembra seu corpo

Feito minhas memórias que me impedem

desenhar seu rosto.


BÁRBARA FRÁTIS | Escritora desde os dezesseis anos, publicou nas coletâneas O feiticeiro das letras, Tratado oculto do horror, Anjos e Demônios e na revista digital Desenredos. Atualmente tenta ser desenhista e é colunista da plataforma feminina Superela.

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. Anna Júlia 16 de Maio de 2018 em 20:27

    Bárbara,

    Gostei muito do modo como elaborastes o poema e da tessitura com o desenho.

    Lendo teu poema lembrei que nem sempre o amor tem rosto, que às vezes ele é um desenho faltando ser acabado. O ser amado ali, podendo ganhar forma através dos riscos trazendo um aglomerado de sensações, enquanto desenhamos uma possível pessoa/história.

    Abraços,
    Anna Júlia

  2. Tayná Zahlouth 17 de Maio de 2018 em 15:17

    Maravilhoso. Amei muito!!!

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