Subversa

talvez o amarelo seja laranja mas o acaso me diz que tudo se torna cor de pitanga uma hora ou outra | Carolina Alves (Florianópolis, SC)


o sintoma primário de esfregar as íris
com força,
essas coisas intraduzíveis de:
fechar a mão em tom discordante
quando algo dissipa com a laringe
suspensa em riste de faca
a gravidade da palavra obscena sustentando
os vernáculos que não abortam
o rinoceronte mordendo pedaços
de árvores radiativas
as línguas ondulando em acentos nos i
não remete a intensidade da ânsia
do inferno
associar a palavra-errática com o vento
te arrancando fragmentos
degolar borboletas famintas
na blasfêmia de perder o encontro do clitóris
onde não seja
pensar no afogamento de céus-fantasmas
entregar a cidade pixelada
e dissolver
a subjetividade em semelhanças


CAROLINA ALVES é poeta, catarinense e estuda Cinema na UFSC | carolalvespacheco@gmail.com

 

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