Subversa

Uma noite não banal | Eduardo Marangoni Canesin (Guarulhos, SP)


e

então

fui,

repleto de loucura e

de pensamentos

suicidas,

para um parque.

 

Era noite,

encontrei crianças felizes

brincando,

seus pais, felizes, sorrindo,

garotas bonitas e

– possivelmente –

vazias, dando gritinhos

com seus namorados

igualmente felizes

e vazios.

 

Será que, lá, eu era o único

que não o era?

Isso valia só para lá?

 

Caminhei noite adentro,

andando de madrugada

pelas ruas vazias,

desertas e também felizes,

embora eu não o estivesse.

Andei por horas.

Minhas costas doíam e as pernas e joelhos,

mas não parei.

 

Quando amanhecia,

encontrei uma igreja e

decidi entrar.

Durante a missa,

por algum motivo, pensei

que ia morrer.

Pedi outra chance, sem saber por quê.

 

Ao término, com minha segunda chance,

caminhei de volta para casa,

repleto de ideias suicidas,

sabendo que não sabia o que queria

e, triste, sorria.

O que mais faria?


EDUARDO MARANGONI CANESIN | sociólogo e escritor. Autor do Blogonauta do Pacífico Ocidental. Publica conteúdo semanalmente, às sextas. Nasceu em 1991

Sobre o Autor

1 Comentário

  1. Lucas Ribeiro Novaes 8 de julho de 2018 em 21:24

    Há muito simbolismo na trsiteza e vc captou isso muito bem.

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