Subversa

Viagem de Balão | Suelio Geraldo Pereira (Formiga, MG)


No cesto arrastado por terra, a viagem progredia-se lentamente para trás. Incomodava-me este desfecho a longo prazo.

_ Mas que vagar!

_ Precisa de mais peso o balão; impulsiona-o a gravidade. Quanto você pesa mesmo?

Tacanho, de grossas sobrancelhas negras em um rosto redondo, macilento, o baloeiro olhava fixamente para a grama verde _ pressionada pelo trançado de madeira do enorme cesto, deixava um trilheiro à frente_, sem se dar conta do seu passageiro encolhido em um canto solitário.

_58 (prudente! Então por isto antes, escrupulosamente, tinha me pesado).

_O balão só se projeta com 290 quilos. Embora este peso seja apenas para ele iniciar; para aumentar a velocidade seria necessário 657 aproximadamente, mais uma parelha de cavalos a puxá-lo.

_E por que não usa os meus cavalos, (a intimidá-lo acrescentei) dois alazões pampas?

_São as regras _falou como algo costumeiro, conhecido por qualquer pessoa. Devo utilizar apenas os cavalos brancos fornecidos pela firma.

Passávamos, neste momento, por árvores frutificadas, as quais invadiam o ambiente de suaves aromas, tranquilizadores para uma viagem que destinava ser cansativa.

_ Está esmagando os frutos! (não pude conter inapropriadamente, em minha situação, este arroubo impensável).

_  É necessário; nunca se pode desperdiça-los. Quando voltarmos já terão mais.

Prestes a cair no chão, equilibrando no beiral anterior, o baloeiro deixava solto os pés e com as mãos procurava agarrar no solo, não ainda destroçados, frutos.

Não conseguindo, sem embargo, pôs-se de pé, firme no meio do cercado, retirou o cinto com uma só mão e com a outra já segurava novamente a extremidade para emborcar.

Chicoteava juntamente a gramínea como as frutas, piscando incessantemente em comprovar que todas estavam sendo exterminadas.

_ Ajude-me! _balançando invertido as bochechas gordas, gritava. Estou quase vencendo; a ala de frutas vermelhas terminará em segundos.

Aproximei do seu corpo pequeno; a exemplo de convulsões movia repetidamente os membros em sincronia _não poderia ser diferente, a agitação no seu cérebro propiciava o ritmo da movimentação contínua_, com a sola do sapato o empurrei para fora do cesto.

Provisoriamente, em um dia ensolarado e repleto de vento, o balão elevou, domando as copas das árvores, rumo ao bosque de macieiras, para o sul.


SUELIO GERALDO PEREIRA | Fulano, beltrano, sicrano, marrano, etc., diz-se “alguém, sem embargo, no mais que seja, não sou eu”.

 

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