Subversa

Andares | O Palimpsesto


Giovane Adriano dos Santos

Fotografia: acervo da revista


As poéticas são muletas, óculos e castiçais;

elas apuram meu passo enviesado, meus olhos míopes,

meus idos sem voz.

Não vim de cidade importante,

descendo de escravos,

escrevo.

Invento algumas personagens e busco outras na minha

meninice.

Sem anjo esbelto ou torto, quando nasci

um ipê sorriu flores ao quintal da casa.

Me espanto com buzinas, motores

e vivo melhor entre os prédios

porque o ritmo desabafa a si.

Sempre chamo alguém ao meu verso;

ora digo nomes sem pudor, ora encastoo

palavras que camuflam outras.

O lápis não é contente nem infeliz;

é de madeira da árvore cujas raízes procuro.


GIOVANE ADRIANO DOS SANTOS é de Morro do Ferro, MG. Publica na Revista Subversa no quinto dia de cada mês.

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