Subversa

Colchão | O Ladrão de Chapéus

A solidão das baratas me entristece. Todos os dias, pé ante pé, folhas crespas de alface batem à porta do meu estômago medicando punhadinhos de sal e ácido. Meus olhos andam enjoados do paisagismo anacrônico em que a cidade deposita alegria, e minha mão esquerda tropeçou no meu braço. Estou podre. Não sei o que acontece. Talvez o trabalho exaustivo de nada fazer durante seis (4) horas por dia tenha me tornado um homem possesso, irritado e completamente destituído do que as pessoas no mundo costumam chamar coração. Meu colchão de mola maltrata e espreme meu sono. Acordo! Acordo ao menos cinco vezes por noite, fora aquelas em que desperto acordado. Tenho me sentido uma panela de feijão vermelho, temperado com o que há de mais fino na culinária mundial: creme dental. E meu colchão de mola leva minha noite num cortado. Menos mal que os cigarros sempre foram companhias leais; a pensar: quando será que vou encontrar minha amada confeitada? E, quando será que o cigarro vai me deixar? Dos males o pior, conquanto, eu continue a roubar chapéus!


BOMQUEIROZ é de Uruguaiana (RS, Brasil) e nasceu embaixo de uma bergamoteira. | BOMQUEIROZ@GMAIL.COM | ler MAIS TEXTOS do autor.

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