Subversa

eu não poderia antecipar o recado das estrelas | Astronaua de Pulôver Azul Néon


Fotografia: acervo da revista


eu não poderia antecipar o recado das estrelas
talvez porque as perdi de vista anos atrás
parei de olhar para o alto enquanto caminhava pelas ruas
fui construindo uma concha com o meu corpo
enraizando os lamentos todos de uma curta vida
com o andar tão apressado de quem ainda se importa com o caminho
mas que se ajusta a um único desejo: de que fosse tão rápido quanto
somente

a visão embaralhada pelo frame em corrida das pernas que andam muito
e só vão, só vão em linha reta, sem pegar rotas alternativas
imagina, se a linha reta já houvera interrompido um trajeto anteriormente (esse)
o que diria a curva? pegar um atalho por desaforo?

então, revendo agora,
desaforo mesmo foi seguir. e eu fui desaforada.
eu segui: linha reta, formando concha no corpo, cascas nos pés

esteira de vento chamam minha caminhada
indo em linha reta, os olhos anulando o presente e mantendo o passado
só porque mora na poeira do que fui; na lembrança estética do que sou

as estrelas, faíscas do tempo
a morte da esperança e esse gosto amargo que
os dias de hoje suportam na boca das crianças abandonadas
e, à sombra de meus tornozelos, a pressa do fim


FABÍOLA WEYKAMP tem seu primeiro livro de poemas “Resenhas da solidão – um livro de poesia e dor cotidiana”, publicado pela Editora LiteraCidade, Belém/PA, 2015; obra ganhadora do Prêmio LiteraCidade Jovem, 2014. É colunista da Revista Subversa e está editando novo livro para publicação | FABIWEYKAMP@YAHOO.COM.BR | Clique aqui para ler mais textos da Fabíola.

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