Subversa

Pistas | O Palimpsesto


“Barco fluvial em bronze com um só remador”, acervo do Musée archéologique de Dijon.


Giovane Adriano dos Santos


Se até o florentino cantou Homero
à Beatriz,
como poderei eu,
que não sou poeta,
caminhar sozinho por esta via?
Enquanto a palavra cortada a cinzel
ganha o contorno
e a noite derrama a xícara de café
sobre a expressão sonolenta,
as luzes citadinas querem,
desavisadas,
competir com a lua.
O leitor de páginas mordidas
a relógios e traças
não é aedo,
não é rapsodo.
E muitos passos do mundo
afastam-no da multimilenária cena
poética:
primitivos, maxilares
e maios imersos
na vida entardecida mas renovada
pelo verbo.


GIOVANE ADRIANO DOS SANTOS é de Morro do Ferro, MG. Publica na Revista Subversa no quinto dia de cada mês.

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