Subversa

[POEMAS-PESQUISA] Hipóteses descartadas até agora: coisas que a arte-exclusivamente não é | Morgana Rech (Rio de Janeiro, RJ, Brasil)

Nota prévia:
O poema-pesquisa é um desdobramento de uma investigação de doutorado sobre arte na área da psicanálise. Por um lado, evidenciam os impasses deste terreno movediço; por outro, permitem que a pesquisadora vá em frente e se chafurde nas lamas em que frequentemente se encontra, como é de se imaginar. 


Fotografia: Tânia Ardito


– Não é [EXCLUSIVAMENTE] uma nuvem carregada de sonhos.

– Não é [EXCLUSIVAMENTE] um revólver descarregado, ainda que o formato do revólver seja bonito demais.

– Não é [EXCLUSIVAMEN] uma arma de brinquedo que arremessa água a cada vez que se aperta na bombinha.

– Tampouco um veneno letal [EXCLUSIVA]

– A arte não são as montanhas, embora também esteja lá [MENTE].

– A arte às vezes está mais na cabeça do investigador do que na própria arte [EXCL].

– Não há arte quando não há nada [EXCL].

– Jamais, nunca, em hipótese alguma, a arte está na grosseria. [EXCLEXCLEXCL]

– Eventualmente está mais na leitura do que na escrita. [EXCUILSAMETNEV]

– Quase sempre na apreensão do que na produção. [EXCLUSIVAM]

– Há uma arte e tanto dentro dos consultórios de psicanálise. [EXCLUSIVAME]

– Não são [EXCLUSIVAMENTE] resíduos, somente resíduos os objetos artísticos.

– Não é [EXCLUSIVAMENTE] brincadeira de telefone sem fio.

– Confunde-se demais com dança das cadeiras [EXCLU].

– A arte não é [USIVAMENTE] uma caixa de lápis de colorir.

– Não é [CLUSIVANTE] uma queda d´água quando só se vê a queda.

– A arte talvez apenas não seja hipótese alguma [EXCLUSS].

– Talvez a arte esteja no minuto preciso em que eu encontre

– A hipótese precisa para o que aqui não está listado como

– Hipótese descartada para a

– Arte [EXCLUSIVAMENTE].

– independente de qual delas seja.


MORGANA RECH é psicanalista e fundou junto com a Tània Ardito a Revista Subversa.

Sobre o Autor

1 Comentário

  1. Estevan Ketzer 10 de junho de 2018 em 23:26

    Tal obra de arte ainda que literária abriu uma extensão de vácuo no que assim entendo ser a sétima nota no acorde, isto é, escapa na sua mostração, tensiona na tentativa de dizer e permite a invasão da modalização em substituição das tonalidades. Isso coloca a música como exclu-siva-mente em três tentativas de suportes materiais aqui encontrados, fracionados por uma determinada regra de composição que tem como meta tocar em alguma medida o âmbito do objeto estético, tal como Joyce ao fracionar o todo em partes impossíveis de caberem na imaginação. Sobre essa fluidez un coup de dés jamais n’abolira le hasard.

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