Subversa

Último Poema | Astronauta de Pulôver Azul Neón

Ilustração de @lilabitten [instagram]


fraquejando as pernas
penumbra do rastro é menos que sombra
sólida disforme sibilante nas paredes do apartamento, agora vazio
lamentos para ninguém em cânticos
nem a vizinha do andar de baixo se incomoda mais
acomodou-se à vela ao choro ao fado às três da manhã
farto está o espaço entre a cozinha e a sala de jantar: vazia
lugares tantos para se pisar sem chinelos trocados
os brinquedos dos gatos espalhados pelo piso
que acolhia os pés com tanta devoção e carisma
se riam os dedos ao tocá-lo, se riam com graça em desfile até o banheiro
risco daqui e dali tracejando mapas das próximas férias que nunca aconteceram
o mapa mundi aos pés em passos de ballet inventado
noites claras tudo dorme menos o chão (vizinha que largue a vassoura e vá jantar fora)
e o vinho caído da taça ao tremelicar cadeiras igualmente dançantes
uno paso doble y já se põe a segurar uma mão na outra ponta dos dedos que escapam
beijos compadecidos da nova textura que toma o piso
sobe lento e firme pelos pés nus
su boca de fuego
ya no vuelvo a ver
se acabó la timba
argentina nunca aconteceu


FABÍOLA WEYKAMP tem seu primeiro livro de poemas “Resenhas da solidão – um livro de poesia e dor cotidiana”, publicado pela Editora LiteraCidade, Belém/PA, 2015; obra ganhadora do Prêmio LiteraCidade Jovem, 2014. É colunista da Revista Subversa | FABIWEYKAMP@YAHOO.COM.BR

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