Subversa

Editorial Vol. 4 | n.º 6 | abril de 2016

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“A indústria cultural perfidamente realizou o homem como ser genérico.”

Adorno, Indústria Cultural e Sociedade.

 

            Hoje, que é dia da mentira, optamos por revelar a verdade: a Subversa é uma réplica. Sim, isso mesmo que você acaba de ler, uma comum e proveitosa réplica.

A réplica é necessária, “os poetas discursam em réplica uns para os outros, em aparte no meio do discurso geral do mundo” [1]. É através dela que a literatura tem a oportunidade de se renovar incessantemente. A réplica permite que se diferencie o objeto estético do mero objeto didaticamente reproduzido. É ela que permite o surgimento daquela vontade de ir numa direção um pouco diferente (contrária, lado a lado, sobreposta, transposta, etc.) e encontrar o ponto ainda mais importante de toda a arte: a autenticidade, a irrepetibilidade, que faz nascer na forma artística a sua própria verdade, independente da distância que tomou do objeto antigo. Uma réplica que se preze acaba por deixar de lado a própria influência; acaba, portanto, por recusar-se a ser cópia.

            A literatura é uma forma de evitar o constrangimento da reprodução pela reprodução, uma oportunidade de revelar o inexprimível e o irrepetível, de oferecer ao espectador algo para saborear, num tempo em que a indústria cultural nos dá mais e mais motivos para engolir calados. Se, daqui dez ou vinte anos, depois de muito trabalho, tivermos conseguido passar essa única e singela mensagem, poderemos descansar tranquilas.

Neste número, estamos subvertendo um pouco a própria Subversa: o ilustrador, Neal Pickhaver, é do Reino Unido; trabalha com pintura digital, produz capas para EPs e, eventualmente, design de tatuagem. Desejamos a todos uma boa leitura.

[1] Alberto Pimenta. O Silêncio dos Poetas.

 


 

ANDERSON FREIXO | ACIDENTE DE TRÂNSITO

EBER S. CHAVES | PÉ MÃO CÉREBRO

EDSON AMARO | POR QUE AMO OURO PRETO?

EDSON DUARTE | CINCO ESTUDOS PARA O RETRATO DE UM PÁSSARO

GLAUBER COSTA | GODOFREDO E O ESPELHO

GRINGO CARIOCA | AS NAVILOUCAS

GUILHERME ANICETO | RUA CHEIA

MARLON VILHENA | TEMPORADA DE ANDORINHAS

SÉRGIO SANTOS | PEDIR PARA NÃO ROUBAR

VAGNER SILVA | COSTURA AMOROSA

 

SOBRE NEAL PICKHAVER: pintura digital, surrealismo e capas para LP´s

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1 Comentário

  1. Sabrina Dalbelo 1 de abril de 2016 em 18:01

    Editorial sensacional! Parabéns!

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