Subversa

Editorial Vol. 6 | n.º 7 | maio de 2017

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“Eu queria que os outros dissessem de mim: Olha um homem! Como se diz: Olha um cão! quando passa um cão; como se diz: olha uma árvore! quando há uma árvore. Assim, inteiro, sem adjectivos, só de uma peça: Um homem!”

José de Almada Negreiros, A invenção do dia claro

 

Com todas as ressalvas da interpretação psicanalítica à crítica literária, fato é que foi através da literatura que Freud percebeu: há sempre uma presença estranha, dentro de cada um, pronta a encontrar na forma estética um ponto de “existência”; um ponto “onde não pensamos”, como no ensaio fotográfico do Marcelo Leães. A ficção é compulsivamente este ponto, é onde o estranho vive, faz ligações, emociona, escraviza, obedece.

O artista, parece, está totalmente aberto ao estranho em si e no mundo, onde não se pensa porque a forma está sendo dada e colocada em jogo. Expressão máxima dessa abertura radical é o poema “Agonias”, de Pedro de Lucena, para quem o teclado é forma, vida e comunicação.

O estranho é sensação e portanto, é forma sempre. O escritor só existe quando escreve, na ideia de Roland Barthes, isto é, onde não pensa e dá forma. Almada Negreiros, em epígrafe, quer se fusionar com a forma, quer não pensar nunca, quer ser ele próprio a obra. O artista está “sovando o barro”, como no poema do Giovane Adriano dos Santos, com toda a dor que isto acarreta. É que a ficção deixa domar e ser domado e isto é um grande paradoxo porque é como dizer que a forma controla o incontrolável. Como é doloroso e como é impressionante este acontecimento.

Desejamos a todos uma leitura bem estranha.

As editoras.

Fotografia: Marcelo Leães. Psicanalista, fotógrafo e membro efetivo do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre. | @marcelolubiscoleaes [instagram]


EMANOEL FERREIRA | SILÊNCIO BRUTO 

FRANCIELI BORGES | INSTANTÂNEOS

GIOVANE ADRIANO DOS SANTOS| EXÓRDIO MODESTO

LARA NOGUEIRA | QUARTO 506, QUARTO 187

LUCAS GROSSO| A PRAÇA AMADEU DECOME

MIGUEL VIEGAS LEAL | ACERCA DA INDIFERENÇA

PAULO ARCE | POEMA CONTEMPLATIVO

PEDRO DE LUCENA | AGONIAS 

SABRINA DALBELO| CASAMENTO

SUELIO GERALDO PEREIRA | A CAÇADA

 “Cada um de nós carrega no bolso uma narrativa visual particular” | ENTREVISTA COM MARCELO LEÃES 

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