Subversa

Esfinge Negra | Fernanda Godinho (Évora, Portugal)

Desenho | Gerda Arns Gonzales


Esfinge negra

Que se espreguiça

Majestosa

No meu caleidoscópico

Ventre

 

Nebulosa existência

Que me revolta

O estômago.

Contração contida

Levando as patas

À boca.

 

Macio e negro

O pêlo

Simétricas e desfocadas

Visões coloridas

Das minhas vísceras.

 

Pele desfiada

Enchimento farto

Para calar e enganar

O gosto ferropénico

Do regurgitado.

 

Enigma açucarado

Olhar cego e cinzento

Outrora dourado.

 

Disparo em cheio

Na matéria negra

Enjoada da espera e do mistério

Dia interrompido

Ventre dilacerado

Cornucópias

E gotas de mel transbordam

Da cova feita

pelo peso da criatura.

Corpo felino, ventre vazio

E desfeito

De ilusão enfeitado.


FERNANDA GODINHO (25 anos, Évora, Portugal). Licenciada em Línguas e Literaturas, perfil Literaturas e Artes pela Universidade de Évora, e mestranda em Literatura e Poéticas Comparadas pela mesma Universidade, encontra na poesia portuguesa (séc. XX e XXI) o interesse pela temática do Corpo. Corpo enquanto matéria e produto visceral para o verso. FERNANDA.GODINHO91@GMAIL.COM

Sobre o Autor

1 Comentário

  1. renata 1 de julho de 2017 em 22:19

    oi gente
    gostei muito desse site, parabéns pelo trabalho. 😉

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