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Lançamento | “Terra – Um Conto de Sá Ninguém” surge em pequenos e belos atos em Portugal

Terra - Um Conto de Sá Ninguém

Terra – Um Conto de Sá Ninguém

“A terra pode amolecer por força do amor?

Só se o amor for uma chuva que nos molha

a alma por dentro.”

Mia Couto

.

“Novembro levanta-se e entrega-lhe papel caneta confiança”.

Sá Ninguém

No próximo dia 25 de fevereiro, um lançamento nada convencional tornará público a obra de um autor que ainda ninguém sabe quem é. O primeiro ato de lançamento de Terra- Um conto de Sá Ninguém será a aparição repentina de alguns exemplares na Faculdade de Letras de Lisboa e, no dia 04 de Março, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Na semana do dia 9 a 13 de Março, o autor voltará a disseminar o seu Terra por vários lugares de Lisboa, sempre apostando no anonimato e na distribuição gratuita do livro.

Terra faz o deleite do leitor ao narrar o encontro entre os jovens Petra e Novembro, cheio de transcendências, ritmo e fusão interessante e harmônica entre o verso e a prosa. Com o domínio dos elementos que evoca, Sá dá um verdadeiro espetáculo de construção poética, valendo-se de uma estética do efêmero que brinca com elementos que vão se desfazendo na medida em que o livro é docemente digerido pelo leitor. O resultado é inspirador: quase se pode sentir a terra molhada debaixo dos pés.

A curiosidade pelo autor vai até o fato de a obra ter sido escrita em onze dias, o que diz ainda mais da estética em que se apresenta: “Não sendo completamente autobiográfico, posso dizer que todo o livro é uma grande metáfora que retrata uma ligação verídica, pelo que foi fácil estruturar uma história e articular todos os detalhes que nela habitam. O motor do processo foi um sentimento bastante bonito, que tem tanto de calmo como de intenso.” (Sá Ninguém)

Com abertura de Mia Couto em epígrafe, Terra traz uma intertextualidade notável e com certo grau hermético com a obra do autor moçambicano, já que, segundo Sá, não foi totalmente consciente:

“Admiro muito a forma de escrever do Mia Couto, o seu faliventar, a envolvência que ele dá às histórias, os nomes dos personagens… Sim, olhando agora para o “Terra”, talvez exista mais de Mia Couto do que aquilo que julgava.” A epígrafe, citada de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terraretrata uma terra dura e fechada que assim estava por existirem conflitos intra e inter-personagens que se resolveriam apenas ‘pela força do amor’. A história de base do “Terra” não tem nada a ver com a desse livro, mas no fundo a resolução para a “Terra” é a mesma chuva que o Mia Couto escreveu.” (Sá Ninguém)

Inaugurando uma narrativa mais longa, o autor de Terra, de dentro de seu anonimato, parece alcançar, por fim, uma identidade artística acertada e bem trabalhada, ainda que seja Ninguém a escrever quase livro nenhum.

 (Leia a entrevista na íntegra)


ATOS DE LANÇAMENTO | Terra – Um Conto de Sá Ninguém

25 de Fevereiro: Faculdade de Letras Lisboa

04 de Março: Faculdade de Letras da Universidade do Porto

 

“O vento leva até Novembro o doce sussurro do canto de Petra. O jovem sorri. Sorri somente. Sorri porque o mundo conspira e concede-lhe a presença de alguém tão terno.

Senta-se ao lado dela, na erva verde. Petra olha-o com as suas amêndoas em lua cheia. Depois, deita a cabeça no seu ombro e Novembro inclina a dele até encostar à da jovem. E assim se ficam.

– Olá.

– Olá – Responde Petra entre um pequeno riso.

Novembro pousa as costas da mão na perna da jovem. Dedos e palma e vasos e linhas esperam pela outra metade. Petra vem pousar a sua mão sobre a dele. Pele com pele, selam o gesto. Mãos dadas. Dedos entrelaçados.

– Queres almoçar lá em casa?

– Hoje?

– Sim. Aproveitas e conheces o novo gato.

Novembro sorri.

– Claro que sim.

(Sá Ninguém, “Terra”)

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